Mittwoch, 9. Dezember 2015

Advento - A Luz do Mundo

Olá!

Dando uma pequena trégua nos assuntos voltados à migração dos exilados para a Europa e às inúmeras tentativas e atentados terroristas que nos aterrorizaram verdadeiramente esses últimos tempos,  quero dar passagem a "contagem regressiva" para as comemorações referentes ao nascimento de Jesus Cristo.
 E nada mais importante que iniciar essa contagem com uma das maiores tradições alemãs, que é marcada com o acendimento das velas do Advento. As quatro velas que circundam  a Coroa do Advento(Adventskranz)  marcam os quatro domingos que antecedem a Noite Natalina. A cada domingo uma nova vela deverá ser acesa, e cada uma delas simboliza a proximidade com a chegada do Jesus Cristo, e por fim, em 24 de Dezembro o nascimento do Salvador, e a Luz do Mundo estará acesa verdadeira e simbolicamente com as quatro velas. Uma curiosidade é que a Coroa do Advento originalmente falando, é confeccionada com ramos verdes de pinheiros entrançadas, formando uma coroa e nela são fixadas as quatro velas do Advento. Essa época do ano é onde as floriculturas faturam extra com a confecção e as vendas dessas coroas, além de muitas outras decorações feitas com os ramos dos pinheiros.

Mas como não poderia deixar de ser, essa tradição continua viva, mas ganhou um toque de modernidade, onde as velas do Advento são postas em objetos decorativos, que podem ter forma e textura bem diferentes da tradicional coroa de pinheiro, como por exemplo objetos decorativos de mesa em metal,  porcelana, madeira etc, que são aproveitados e decorados de acordo com o gosto individual de cada um.





E para acompanhar essa "contagem regressiva", existe o Calendário do Advento (Adventskalender), que é um calendário especial com 24 janelinhas, contados a partir do dia 1° de Dezembro simbolizando os 24 dias até a chegada do Natal.




À esquerda um calendário pronto das lojas de decoração, e à direita o calendário confeccionado pela querida amiga Giovana Wittmer.

O acompanhamento desses calendários tem um sentido especial, mostrando de forma divertida quantos dias faltam para a chegada do Natal, e para as crianças em especial, pois cada janelinha apresenta uma surpresa. Algum8as pessoas preferem confeccionar os seus próprios calendários ou comprá-los prontos nas lojas de decoração, fugindo assim dos modelos tradicionais já prontos oferecidos nos supermercados ou lojas de departamentos, que são confeccionados em papelão.





Quase se comparando com o consumismo dos ovos de chocolates vendidos na semana de Páscoa no Brasil, assim as grandes marcas também investem nesse grande filão que são as comemorações natalinas na Alemanha.

As grandes marcas de brinquedos do mercado, já viram nisso um grande potencial de vendas de seus produtos e já criaram seus próprios calendários onde dentro das janelinhas, além do tradicional chocolate, também são encontrados brinquedos em miniatura.
E como os adultos também não poderiam ficar de fora, há os calendários mais ousados e que trazem uma conotação erótica, para os homens e também as mulheres. As lojas de bebidas que também aproveitaram a onda já inovaram oferecendo grades de cervejas com tipos variados, em estilo de Calendário do Advento.


Como se não bastasse, algumas marcas mais conhecidas já ousando e de olho nos consumidores mais aficcionados no mundo virtual, lançaram Calendários do Advento Digitais, com Apps que dão presentes ao serem baixados pelo Smart Phone.                       
                                            
É, pelo visto, o "Espírito de Natal" precisará  se informatizar o mais rápido possível...ou se perderá no meio do caminho...

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Mittwoch, 18. November 2015

Povos diferentes. Diferentes Pensamentos.

Olá! Hoje quero falar de um tema que é muito delicado, não é nada novo, mas que infelizmente ganhou a notoriedade da mídia por conta dos novos ataques terroristas em Paris.

A convivência entre povos de diferentes nacionalidades.

Em um país onde vivem tantos estrangeiros, não há como passar despercebida a influência cultural desses povos que dividem o mesmo solo. Seja na culinária, na religião, língua falada e escrita, ou na sociedade de uma forma geral.

É lógico, que para povos com culturas e comportamentos bem diferentes conviverem juntos, é necessário que haja sobretudo respeito e tolerância. É simplesmente inevitável, em um planeta habitado por diferentes povos, não haver conflitos de opiniões. Basta considerarmos que, há países mais ou países menos conservadores, e que quando esses povos se encontram e têm que conviver juntos, há fatores que irão influenciar de uma forma ou de outra na harmonia dessa convivência. Só para citar por exemplo, fatores como religião, política, comportamento, e liberdade de expressão, podem ser um barril de pólvora se esses temas forem mal interpretados.

No que se diz respeito à religião de um povo, haverá sempre questionamentos e críticas, pois a intolerância infelizmente falará sempre mais alto. Isso, claro, não é uma generalização, pois haverá também sempre as exceções, que irão balancear uma convivência mais harmoniosa entre povos com diferentes cultos religiosos. 
Na América do Sul, há também diferentes países que falam quase todos o mesmo idioma, mas que cultuam diferentes hábitos e religiões. Só para dar um exemplo, no Brasil 68% da população pratica o catolicismo, mas há também praticantes da religião Protestante, Hinduísmo, Budismo, Candomblé e muitas outros variados credos, cultos ou seitas. Povos com diferentes pensamentos, mas que são capazes de respeitarem-se uns aos outros em sua maioria das vezes. 
Na Europa, vivem milhões de muçulmanos, judeus, budistas e seguidores de muitas outras religiões, além do catolicismo e protestantismo, vindo dos mais variados países. Alguns procuram integrar-se à cultura ocidental, outros, fazem dos seus bairros e seus lares uma extensão de seus países, onde ali prevalecem (na maioria das vezes) as leis que regem suas religiões.
Os muçulmanos são os que mais se sobressaem diante de muitos outros, por serem considerados exóticos e rigorosos em sua forma de vestir e se comportar. Isso não seria nada demais, se esses povos não quisessem impor a sua cultura e forma de viver como sendo a correta, criticando o estilo de vida e cultura dos países ocidentais como sendo incorretos, de mal exemplo e libertinos. Com esse pré-julgamento muitos saem de seus países para o ocidente, e não aceitam por exemplo, que as mulheres sejam emancipadas e livres para decidirem sobre suas vidas.
Nas grandes capitais, existem ruas inteiras onde seus moradores são turcos ou de países de origem árabe, onde se pode ver um comércio diversificado, com placas de propaganda em turco, ou idiomas de origem árabe, sendo impossível para quem não tem conhecimento da língua saber o que está escrito. Há também consultórios médicos com placas em idioma estrangeiro e em alemão, para facilitar um pouco a identificação. 
Algumas das famílias mais conservadoras (na maioria impera-se o poder patriarcal), não permitem o casamento dos seus filhos com pessoas de outra nacionalidade ou credo senão os seus. Os casamentos “arranjados ” são bem mais comuns entre eles do que se imagina, e quem não respeita as regras impostas pelos pais ou membros masculinos da família, podem sofrer rigorosas punições. Mas nem sempre as “leis” que regem essas famílias são respeitadas, pois há cada vez mais jovens, rapazes e mocas, nascidos em países do ocidente, como na Alemanha por exemplo, e criados em regimes rigorosos, que se rebelam contra seus familiares e não aceitam tais “regras” de matrimônio, ou querem apenas serem aceitos em sua opção sexual (visto pelos muçulmanos como crime de morte!). Muitos insistem em manter relacionamentos com pessoas que não sejam de sua mesma religião ou origem, o que nem sempre termina bem, pois, já foram registrados muitos casos de parentes (pais e/ou irmãos) que “em nome da honra”, levaram a punição um pouco além da conta, e esses jovens “rebeldes” tiveram que pagar com suas vidas o preço de sua liberdade. Devido à esses e outros casos de conservadorismo extremo dentro do islamismo, é que infelizmente há uma certa discriminação sim dessa população, não só na Alemanha como em outros países europeus.
Para muitos, é inaceitável que essas pessoas vivam na Europa, em países extremamente modernos e avançados, onde temas como divórcio, casamento, aborto e homossexualismo já deixaram há muito tempo de ser tabu na sociedade, nas escolas ou dentro da família. Assistir na televisão ou ler nos jornais que mulheres são assassinadas por seus esposos “em nome da honra”, por não quererem mais continuarem casadas, sendo tratadas de forma desumana apenas por serem mulheres, e porque pediram o divórcio, derramando, segundo eles, “a vergonha” sobre as famílias envolvidas é algo que parece quase irreal e bastante assustador. Mas não são apenas os maridos ou os pais que punem essas mulheres, há pouco houve o caso de uma jovem ter sido sequestrada do apartamento onde vivia com seu namorado alemão e, muitas semanas depois encontrada morta, jogada em um descampado, como se fosse nada, como se com isso a sua família tivesse se livrado de uma “coisa” que os incomodava diante da sociedade em que vivem. E as investigações apontaram para suas irmãs, como as culpadas pela tragédia.

Um outro fator que leva os políticos e a sociedade à grandes debates e discussões, são os Extremistas Islamistas, que estão envolvidos com o terrorismo que assola o mundo.  Na Alemanha, houve o caso em que membros deste Grupo Radical planejaram ataques terroristas no verão de 2006, nas cidades de Dortmund e em Koblenz. Na ocasião, foram encontras duas malas de viagem em trens regionais das respectivas cidades contendo explosivos. Os especialistas informaram que, devido à uma falha na construção da bomba não ocorreu a detonação, o que salvou com certeza muitas vidas.
Outro caso ocorreu em 2007, quando três terroristas (dois alemães convertidos ao islamismo e um turco) envolvidos com terrorismo, foram descobertos em uma casa de férias alugada, na região de Sauerland. Na residência, a polícia encontrou enorme quantidade de produtos químicos e explosivos, que os especialistas afirmaram serem de poder de destruição muito maior que os ataques terroristas ocorridos nos trens de Madri em 2004, e o de Londres em 2005. Ou seja, há muito que a Alemanha está na mira dos terroristas. Tivemos sorte entao? O que dizer?
Nos dois casos, os suspeitos foram capturados e condenados à prisão.

Seguramente, há as muitas exceções, onde as famílias menos conservadoras, não importando de qual religião são adeptos, não têm problema de manterem contato com pessoas de outros credos e nacionalidades, vivendo em harmonia, não sendo tão pressionados pela sociedade no que diz respeito à integração e convivência social pacífica. O tema Integração, tem sido bastante discutido nesses últimos tempos na Alemanha. Nunca se discutiu tanto e veementemente sobre o que é integrar-se socialmente a um país, como se está sendo discutido nos dias de hoje. O tema tornou-se discussão política constante, e quase não sai da pauta dos muitos programas de entrevista na televisão alemã.
Acredito que nós estrangeiros, não precisamos perder a nossa identidade e passarmos a viver a identidade do país que escolhemos para viver. Muitas vezes, nós nos integramos tanto, que nem percebemos que agimos de acordo com o que a vida no país exige de nós, e isso acontece inconsciente e naturalmente. Não necessitamos (e nem poderíamos) esquecer as nossas origens por estarmos convivendo com pessoas de origens diferentes, em um país que de certa forma, querendo nós ou não, irá nos envolver em sua cultura. Mas por outro lado, não podemos querer impor, ou “enfiar goela” a baixo a nossa cultura de forma forçosa, às pessoas ao nosso redor e do nosso convívio diário. Penso, que devemos e temos o compromisso de nos darmos uma oportunidade e sermos flexíveis para facilitar a nossa introdução à esse “novo mundo” que estamos por descobrir. Lutar contra isso, é pouco inteligente, afinal de contas, houve uma razão para se querer mudar de país, e isso implica mudanças pessoais e comportamentais também.
Quando se chega em um país que se escolhe para viver, falando aos quatro cantos que as coisas do “meu país” são as melhores; que tudo no “meu país” é melhor; fazendo comparações constantemente, então o que resta é se fazer algumas perguntas: O que se está fazendo em um lugar que não é agradável? Porque abandonar tudo e ir para um país onde nada é satisfatório? Porque insistir por anos a fio em morar e viver se contrariando?

A decisão de se morar em um país onde não nos sentiremos felizes, é algo muito sério e deve ser pensado com bastante responsabilidade, antes que o tempo passe, antes que seja tarde demais para um recomeço. Pois o tempo passa e o que se perdeu ficou para trás e não retornará mais.

Montag, 31. August 2015

Amor em Porções


Ela me chama de "irmã". E ela me faz tão bem. 
Quem mora em lugares onde os mulçumanos são em grandes números, como na Alemanha por exemplo, sabe que são em sua maioria pessoas que vivem em seus "guetos", grupos fechados e, por nada abrem mão de seguir os seus conceitos, preceitos, normas, regras e leis. Não "se misturam" fácil! São em sua maioria sisudos ou de poucas palavras. Falo do que eu vejo e vivencio. Não são todos. Conheço os dois lados! 
Mas ela é de fato diferente...minha "irmã" é diferente. Ela trás na cabeça o seu tradicional lenço. Mas trás no seu coração também o diferencial. Trás no seu sorriso largo algo especial. Ela é linda. Simples no seu vestir e exagerada nos seus gestos. Guarda dinheiro no soutien, e nem se importa de tirar a bolsinha com o pouco que carrega, ali no caixa,  na frente dos outros...nem se importa. 
Diria que seria  brasileira em suas atitudes...ou seria ela um espelho meu?  
As vezes quer ser formal e me chama de "Frau!", num alemão atrapalhado, que pra ela seria o mesmo que me chamar "Senhora!" 
Ahhhh deixa disso! Continua me chamando de "irmã" (Schwester!) ...quero continuar sentindo que eu sou igual você. Não quero me perder nesse turbilhão de exigências que o mundo impõe...não quero ver duas bandeiras entre nós duas. Quero ver em você, o que o mundo quer ocultar. 

-"Irmã", obrigada por afastar da minha frente um véu de mentiras. Um véu que diz que: "quem tem mais vale mais!"
Se é assim, você é a pessoa mais rica do mundo. Porque, um coração desses...não há dinheiro no mundo que pague!
Você talvez nem saiba "irmã", mas a caridade verdadeira é assim: a gente faz e nem percebe! E eu sou a carente dessa história! 

Sabem aquelas vezes, em que o coração fica em festa quando a gente vê uma pessoa? E parece que tem um cordão invisível ligando-o aos lábios, e você sorrí sem perceber? Pois é, a minha "irmã"  consegue fazer isso comigo. Louco? Extranho? Diria que é amor fraternal! Sim, ele existe, eu o conhecí...

Minha "irmã" ontem (29.08)levou lá no meu trabalho, um prato de sua comida tradicional! Que é feito à base de Folhas de Parreira. (Weinblätter em alemão). Ela havia me prometido, já há duas semanas...
 Foto original da minha Dolma ou Sarma
https://de.m.wikipedia.org/wiki/Dolma

Essa especiaria da cozinha oriental, que pode ser chamada de Dolma (recheado) ou Sarma  (embrulhado), pode ser recheada por diferentes iguarias, como carne de carmeiro moída, arroz cozido quebradinho (o que eu ganhei!), com temperos diversos e amêndoas. Preciso dizer, que o sabor me levou a uma viagem à fàbula das "Mil e uma noites..."

Tanto amor e carinho em uma porção só.

Outro dia, ela me trouxe um Pão Árabe fresquinho e ainda quentinho, do mesmo que seria servido na sua ceia após o jejum diário, pelos quais os mulçumanos têm que passar, no período do Ramadan.

Só posso retribuir-lhe tanto carinho, dando-lhe de volta na mesma medida, a atenção que me desprende.

Às vezes eu penso em perguntar o seu nome, mas assim o encanto se perderia...e prefiro que siga dessa forma, especial.

Só sei, que eu acredito que nada acontece em vão, e tudo isso só  vem apertar ainda mais os nós do meu credo. Ele diz, que não somos mais nem menos que ninguém.
Se somos então iguais, não há o que temer. Sou feliz por ter aprendido mais esta lição...

Não vejo a hora de rever a minha "irmã" e dizer -lhe, o quão saborosa estava aquela porção de carinho!

Alessandra Heidenreich


Montag, 3. August 2015

Mães não choram




É tão triste e doloroso ver uma mãe sofrer por estar longe do seu filho amado...é tão triste de ver sorrisos escondendo a dor e a angústia guardadas no seu coração.

Poucos imaginam, mas são muitas as mulheres que decidem mudar de país, e que tomam essa decisão pensando em melhorar a sua situação financeira e social, para poder oferecer "o melhor" para seus filhos no futuro, e se possível em um futuro não muito distante, ou seja, logo que se estabeleça no país para o qual se mudou.
Às vezes tomam essa decisão sozinhas, outras vezes com o apoio e  incentivo de algum parente ou amigo que já vivem em algum outro país, ou até mesmo através de um namorado que a incentivou de alguma forma, com a proposta ou possibilidade de um trabalho. Ou para simplesmente viver com o seu parceiro (que quase sempre é estrangeiro).
As razões que as levam a tomar essa decisão podem ser as mais diversas possíveis, como por exemplo, a falta de perspectiva na sua vida profissional; uma desilusão amorosa; o desafio por desbravar um novo (velho) mundo; o simples desejo de viver uma outra cultura, ou por alguma outra razão pessoal.

Em muitos casos, esses são planos feitos até inocentemente por essa mãe. Eu falo "inocentemente" não pela sua natureza em sí, mas pela sua ignorância que esbarra nas questões burocráticas peculiares no que diz respeito ao assunto, que envolvem as leis do país para o qual mudou. Há países que realmente não só não facilitam como até mesmo proíbem a permanência de filhos de imigrantes. Por estas razões é preciso se informar bem sobre o tema "trazer os filhos do Brasil para o país onde se vive" para prevenir ou evitar aborrecimentos.
 
 
Devo mencionar que esse é um tema muito delicado, principalmente se esses filhos são menores de idade, pois os principais "personagens" dessa história, e que no final acabam sendo os maiores prejudicados ou quem mais sofrem quando esse assunto não é bem trabalhado e resolvido de forma legal e sensata, são as crianças, que não entendem porque sua mãe (que na sua cabecinha é a pessoa que mais a ama) não está ao seu lado. E, claro, o problema acaba se tornando um efeito dominó, pois se a mãe não tem a criança ao seu lado, ela sofre demasiado, alimentando em sí um complexo de culpa quase que insuportável, por ter sido ela a "causadora" da situação. Levando-a muitas vezes ao desespero e a tristeza profunda, o que pode desencadear uma depressão por não poder resolver a questão ao seu modo e em tempo hábil.

 
Quando uma mãe pensar em levar o seu filho para morar com ela no exterior, fatores muito relevantes devem ser visto como prioridade, como por exemplo, se essa criança terá uma estrutura familiar; se no caso de ir morar com o seu companheiro ou marido que ela sinta-se querida e bem vinda também por ele; lembrar que essa criança irá visitar uma nova escola, onde além de todas as pessoas serem estranhas do seu convívio diário até então, ela não fala nenhuma palavra daquele idioma, e que isso poderá trazer problemas psicológicos como: frustração, complexo de inferioridade e introversão; poderá se tornar agressiva e/ou até mesmo deprimida, e que isso poderá causar problemas no rendimento escolar e no convívio familiar.
E por tudo isso, é muito importante que essa criança tenha um lar, onde ela sinta-se protegida, resguardada dos seus medos e incertezas, até que possa através do apoio moral e segurança encontrados dentro de casa, começar a caminhar com suas próprias pernas, e desbravar esse mundo tão desconhecido e diferente que lhe foi apresentado.

É preciso lembrar que esta criança está deixando para trás uma pequena estrutura social já formada, através do pequeno círculo de amiguinhos; da escola que frequenta talvez desde a mais remota idade; da segurança de estar próximo a pessoas com rostos e hábitos familiares, que falam e compreendem o seu idioma.

Por mais duro que possa parecer, infelizmente algumas dessas mães nem sempre terão a oportunidade de reencontrar seus filhos como planejaram ou no tempo em que desejaram. Às vezes, é tudo como um "tiro no escuro".  Mudam para um país no qual têm dificuldades de adaptação; o acesso ao dinheiro não é tão fácil quanto o que se esperava.; ou as condições sociais em que vivem, também não foi a planejada. São custeadas financeiramente por seus maridos ou companheiros, e que esse por vezes mudam de comportamento ou mostram o seu real caráter, encurtando ou até mesmo cortando a contribuição financeira que lhes davam.
Algumas esbarrarão na resistência desse companheiro (que não é o pai biológico),  no momento em que o tema "trazer meus filhos" for abordado.
Em outros casos, a resistência parte da própria criança, que por vezes, como uma forma de "represália" ou revolta pela partida ou "abandono" de sua mãe, se nega a querer ir morar com ela, dando-lhe uma espécie de castigo, fazendo-a dessa forma padecer ainda mais.
Algumas vezes esses comportamentos e atitudes das crianças são influenciados por um ex-marido não satisfeito com a separação, e que envolve a criança numa briga de adultos, convencendo-a a ficar contra sua mãe, usando-a como fator de intriga para dificultar a vida ou atingir sua ex-parceira de alguma forma, chegando mesmo a  impedir essa criança de deixar o país.


Infelizmente, como já mencionei, muitas dessas mulheres são dependentes financeiramente dos seus parceiros e não têm uma renda própria. Há casos de irem ao extremo e de serem abandonadas, após alguns poucos anos de convívio, depois do término de uma relação que começou com bastante harmonia, mas que infelizmente por conta de diferenças de opiniões, por incompatibilidade de gênios, ou algum outro fator agravante chegou ao fim.
E por conta dessa separação repentina e inesperada, muitas dessas mães não estão preparadas para enfrentar uma vida sozinha em um país novo, nessa nova cultura, que exige delas muita coragem e força para viver essa delicada situação. Claro, algumas se superarão com muita bravura e buscarão trabalho no intuito de enviar dinheiro para ajudar na manutenção do seu filho, que espera pelo seu retorno.
Posso até mesmo acreditar que a ausência dos filhos seja usada como "arma" para atingirem suas mulheres, ou suas ex-parceiras, que estão muitas vezes sensíveis e fragilizadas por estarem longe de casa e sozinhas.

Por isso, não me canso de mencionar uma vez ou outra, a importância de se aprender o idioma do país para o qual se está mudando. A independência financeira é excelente, mas o domínio do idioma é riquíssimo, e liberta!


Um ponto que precisa ser abordado, é que na hora de deixar o país, é importante que as mães não esqueçam que essa criança não é simplesmente uma "bagagem de mão", e achem que elas poderão viajar sem o menor dos problemas. Mas ao contrário, elas devem se informar com muito cuidado sobre os documentos necessários para viajarem com seu filho legalmente.

Os filhos menores de pais separados, são um caso que exigem mais atenção, pois essas crianças não poderão deixar o país sem a autorização de um dos genitores.23w

Para alguns esclarecimentos de dúvidas, aqui tem um link do Estatuto da Criança e do Adolescente- ECA, que aborda este assunto. Para facilitar, eu mesma verifiquei e o tema abordado será encontrado a partir da página 99, Seção III - Da Autorização para Viajar - que vai do Artigo 83 ao 85

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm#texto


Há poucos dias, vivenciei o caso de uma adolescente filha de brasileira com alemão, que estava no Brasil de férias com a sua mãe, e na ocasião de deixar o País, não teve permissão mesmo estando acompanhada de sua genitora, por não ter passaporte brasileiro à mao, e por  não estar acompanhada também do seu pai que na ocasião se encontrava na Alemanha.
Por conta da burocracia, tiveram que permanecer duas semanas em território brasileiro, e por não terem sido aceitos os documentos enviados através de fax às autoridades brasileiras responsáveis (só teriam aceitação se fossem enviados os originais via correios).
Enfim, após muitas idas e vindas, duas passagens perdidas, remarcadas e pagas do próprio bolso, as duas conseguiram viajar de volta, e o resultado é que a adolescente de certa forma traumatizada, não pretende nem tão cedo viajar ao Brasil. Mas, cada caso é um caso.

Esse caso, fez-me lembrar uma das viagens que fiz sozinha com a Corina, minha filha. Saímos da Alemanha (ela com passaporte alemão,) apenas nós duas, não apresentei nenhum outro documento, a pesar de estar também trazendo comigo o seu passaporte brasileiro. Na entrada em Recife, não me foi solicitado o seu documento de cidadã brasileira, ou seja, apresentei outra vez o seu passaporte alemão. No retorno das férias à Alemanha, tivemos um pequeno transtorno, pois a "simpática" senhora do controle da Polícia Federal, me questionou porque eu estava apresentando um passaporte alemão da nossa filha. Falei com tranquilidade que, não me fora cobrado nenhum outro documento brasileiro dela na entrada, e por isso achei natural apresentar aquele documento, pois afinal de contas nossa filha era uma cidadã alemã e que eu não via nenhum problema em apresentar aquele documento. Muito mais "simpática" ainda, aquela senhora me exigiu um documento brasileiro da Corina, e me questionou se "o senhor" que nos acompanhava era o pai dela. (Meu marido que havia viajado em seguida para nos encontrar, estava conosco).
Para resumir, a "simpática" senhora me falou que SEMPRE que eu viajasse com minha filha desacompanhada do meu marido para o Brasil, teria que apresentar o passaporte brasileiro dela, tanto na entrada, quanto na saída, acompanhado da autorização dele junto com os documentos.

Eu entendo que uma autorização para a viagem desacompanhada seria de fato necessária (não o fiz realmente por falta de cuidado, mas não que tenha querido me desfazer das leis brasileiras), mas eu não entendí a exigência da apresentação do documento brasileiro, já que ela tem as duas nacionalidades, e eu optei por apresentar a estrangeira.

Vale salientar, que nas atuais emissões de passaportes infantís, há um formulário que deve ser preenchido onde os pais, de comum acordo, autorizam a criança a viajar apenas na companhia de um dos genitores. Essa autorização vem constando no passaporte da criança. Nós emitimos o da nossa filha com essa autorização para evitarmos perca de tempo com a burocracia caso haja uma necessidade urgente de viagem. E na página 4 do seu passaporte, abaixo dos nossos nomes consta o seguinte texto :

" O titular está autorizado pelo(s) genitor(es), pelo prazo deste documento, a viajar com um deles, indistintamente.
(RES. CNJ 131/11.  ART.13)."


Particularmente eu sou uma pessoa pacata, odeio confrontos ou discussões mas não abro mão se eu achar que tenho razão, então eu não conseguia entender: se minha filha era uma cidadã alemã, ela tinha o direito de entrar no Brasil, como o pai dela, com o seu passaporte alemão! Ou não?

Naquele dia eu me dei por satisfeita, mas na viagem seguinte, eu não perdí a oportunidade de perguntar ao simpático (de fato!) policial federal, que controlava a saída na nossa última viagem, se aquela exigência da sua colega de trabalho procedia. Ele deu um sorrisinho, e me disse que na verdade era quase como uma questão de "orgulho nacional", pois já que nossa filha também era brasileira, seria importante apresentar o seu passaporte brasileiro.

Mas esse é um assunto de muita complexidade, e cada caso deve e necessita ser visto isoladamente, pois o menor dos detalhes pode fazer muita diferença e gerar discussões desnecessárias.


Aqui poderemos tirar algumas dúvidas sobre emissão de passaportes no exterior 

http://frankfurt.itamaraty.gov.br/pt-br/


Quando assunto é viagem com menor de idade, é muito importante não esquecer das questões burocráticas e que na hora do embarque, caso os documentos da criança não estejam em ordem, não irá adiantar nem escândalos, nem sambar de um pé só, pois os profissionais que trabalham no setor de embarque dos aeroportos são, na sua maioria, muito exigentes. Pode até mesmo haver um caso ou outro, em que se foi feita vista grossa, o que não seria bom, nem profissional pois afinal de contas, o que se preza é pela segurança da criança.

Claro, há os casos de mães que trouxeram seus filhos e tiveram "um final feliz", e  também muitas mulheres (e eu tenho a sorte de conhecer algumas delas), não passaram por nenhum tipo problema, e que ao contrário de muitos outros casos, têm companheiros maravilhosos, que tomaram os filhos de suas companheiras como seus, sem distinção de tratamento, mesmo depois de terem filhos consanguíneos.
E há também os filhos que vieram viver com suas mães, mas por alguma razão não se adaptaram e tiveram que regressar ao Brasil, o que com certeza foi de alguma forma traumático para ambos os lados.

Não posso deixar de mencionar, que nem sempre a "culpa" é das mães, pois em algumas situacoes os filhos em sí são uma "barreira" para que as mães os levem para viver com elas. Não é fácil para uma cabecinha tão jovem ainda, entender porque sua mãe o "abandonou" ou entender o que se passa em seus pensamentos, por ter que deixar seus amiguinhos que falam seu idioma, ou sair de um ambiente que lhe é familiar e que lhe trás segurança,  para entrar em um mundo novo, onde tudo é diferente e distante do que era até pouco a sua realidade.



Mas cada mãe tem suas razoes de ter deixado os seus filhos para trás, mesmo que temporariamente. Muitas têm a sorte de em pouco tempo estar reunidas à eles novamente, porém outras nem tanto.
E nem que eu tente, e eu posso até mesmo usar os termos mais lindos e mais doces que houverem, mesmo assim, jamais conseguirei transformar em palavras esses sentimentos que só essas mães carregam dentro de sí. E por mais que se façam de forte, uma saudade infinita e uma dor cortante insistem em habitar em seus corações.

É tudo muito triste e muito doloroso, para ambos os lados. Tanto para os filhos que esperam ansiosos pelo retorno de suas mãezinhas, para leva-los e nunca mais os abandonarem, quanto para as mães. E enquanto esse dia não chega,  seguem consolados por um presente ou outro enviados com muito amor e carinho, e muitas vezes, "encharcados por lagrimas secas", derramadas por aquela mãe que preferia se fazer pequena como uma formiguinha e entrar naquele pacote. Mas que por diversas razoes, dentre elas a financeira, ainda não conseguiram ir de encontro aos seus pequenos.

O que eu sei, é que nenhum de nós, por mais que nos achemos no direito, devemos ou podemos apontar o dedo para essas mães; nenhum de nós é perfeito o suficiente para emitir julgamento. Ter um filho, poder estar com ele, envolve-lo em um abraço e sentir o seu cheirinho é um privilégio, e por isso, simplesmente por essa razão, é que essas pobres mães já foram "punidas", dispensando assim outros julgamentos.
 "Atirar pedras" não é o melhor a se fazer. É sabido que toda decisão tem uma consequência seja ela positiva ou negativa, mas fechar os olhos e se por no lugar de cada uma delas é uma forma de sentir a sua dor, sentir a sua tristeza, e no final se compadecer.

Mães não choram, elas sufocam a sua angústia no seu peito para seguirem vivendo...elas se vão um pouco a cada lágrima derramada.



Esse post, eu dedico à todas as mães, que tiveram que se afastar temporariamente de seus filhos queridos e amados. E em especial a uma mãe linda, que tem um sorriso lindo, mas trás no coração e na alma a tristeza da separação por ter deixado temporariamente uma "parte de sí" no Brasil.
Como ela mesma me disse uma vez: "Eu tenho uma vida no Brasil!"


À elas, deixo aqui um abraço forte, com muito amor e o desejo do fundo da alma, que um reencontro esteja próximo.



Mittwoch, 3. Dezember 2014

Solidao que Mata


Há algum tempo, algo vem me perturbando a mente e me tirando a tranquilidade, e acredito que não só a mim, como também aos muitos brasileiros que moram no exterior. Isso a que me refiro, são as constantes reportagens e notícias de brasileiros ou brasileiras que vêm tirando as suas próprias vidas por motivos de depressão, angústia ou outro mal que são causados aparentemente pela solidão. Em poucos meses, são muitos os casos noticiados.

Nós que moramos muitos anos "fora de casa", sabemos o quanto é difícil a fase de adaptação e de aceitação por ambas as partes (tanto por parte do estrangeiro em aceitar novas normas, regras e mudanças para inserir-se à nova vida, e em uma outra cultura; como também por serem (ou não!) "aceitos" nesse novo lar pelos habitantes locais.
Os recém-chegados, na sua maioria, acreditam que por estarem vivendo em um país "novo", serão bem aceitos e  recebidos de braços abertos , que todas as portas estarão sempre abertas, e isso não é verdade, essa não é realidade. Claro, pode haver as exceções, mas isso não é um fato corriqueiro e não acontece todos os dias.

Quando sentimos na pele que nem tudo é como as mil maravilhas, e que nem tudo é fácil, que teremos muito a "desbravar", e que nem sempre seremos bem vistos ou aceitos no país que escolhemos para viver, e que teremos dificuldades para encontrar trabalho, e que nem sempre teremos à nossa disposição alguém para nos comunicarmos, pessoas que talvez venham amenizar um pouco essa solidão, então é aí que a realidade aparecerá nua e crua. A dificuldade já começa daí, em não falar o idioma, e isso afetará principalmente as pessoas que se negam em viver a vida do país, e se fecham em "guetos" ou "grupos" que só falam o idioma pátrio, ou seja, não têm interesse em se desenvolver no aprendizado da língua do país onde mora.
Mas essa dificuldade, pode piorar, se as pessoas moram em lugares distantes e afastados, não terão facilidade de comunicação nem de locomoção, para ter mais contato com pessoas que possam ajudar nessa adaptação. Pois quanto mais afastado e interiorano for o lugar em que esse imigrante for morar, mais as pessoas serão reclusas e "desconfiadas".

Lembro que há alguns anos, meu marido e eu conhecemos uma moça jovem muito simpática, que vinha de Salvador, mas que já havia vivido na Suíça e lá havia tido uma experiência conjugal que não tinha dado certo. Ela namorava um senhor também muito simpático, e aproximadamente uns quinze anos mais velho. Eles nos convidaram para visitá-los em sua cidadezinha, e não demoramos muito tempo para encontrar a casa deles, pois o lugar era muito pequeno e afastado do "centro", e além do mais só havia umas cinco casas naquela área, e eram bem afastadas uma das outras.
Após a conversa que se sucedeu entre nós, não demorei muito para concluir que aquela moça não demoraria muito naquele lugar. Ela tinha muitos planos, era muito ativa, gostava de balada e falava muito empolgada das aventuras e dos locais que havia frequentado com seus amigos, todos brasileiros, no tempo em que morou na Suíça . Ela não tinha carteira de habilitação, e o lugar onde moravam, só havia pastos e vacas a perder de vistas. Para ir até o mercado mais próximo, necessitava ir de bicicleta. Ela passava os dias sozinha, em uma grande casa, enquanto seu namorado passava o dia fora de casa trabalhando. Ela fazia muitos planos, e na sua cabeça de moça jovem, tinha devaneios e ilusões, mas todos iam de encontro com a sua realidade.

Nós perdemos o contato uma com a outra, mas espero profundamente que tenha realizado os seus sonhos de ser feliz.

Isso é fato. Para se tomar uma decisão dessas, é necessário sabedoria e maturidade, caso contrário, pode ser um jogo bastante perigoso, e a situação fugir ao controle.

Não quero dizer com isso, que seja ruim morar em um lugar pequeno e afastado da "civilização".
Mas morar em cidade grande também não quer dizer que seja muito diferente, pois as pessoas no seu dia-a-dia têm suas ocupações, e mesmo os nossos conterrâneos, que já estão habituados à vida do país, nem sempre terão aquela disponibilidade que acreditamos que teriam.
Eu mesma, logo no início da minha vida no estrangeiro, também já passei por uma experiência, pois uma conhecida, ao ser indagada por mim, porque não me visitava, ela me disse: _Você tem que me convidar. Não posso chegar assim, batendo na sua porta como se estivéssemos no Brasil!"
Hoje eu sei que infelizmente essa é a realidade de quem mora fora, não é como estar "em casa". Não adianta, isso é uma ilusão, ou uma triste realidade, como queiram classificar.

Eu desejo sim, que em algum lugar, alguém não dê importância às burocracias e formalidades criados pelo homem, e não se importe se um amigo chegar batendo à sua porta de repente, e não faça essa pessoa sentir-se inconveniente, pois talvez ela só esteja querendo um ouvido ou um ombro amigo, para não enlouquecer, para continuar a viver. E que ao retornar para a sua casa, não tenha mais um vazio no peito, e não cometa um ato de loucura em um momento de desespero, perdido na solidão entre quatro paredes.

Mas eu sigo me perguntando, e talvez este seja um questionamento não apenas meu, mas de muitos de nós: O que pode levar essas pessoas a viverem esse momento de desespero?
O que leva essas pessoas a tirarem suas próprias vidas? Seria fraqueza, no sentido de não terem suporte para lutarem e superarem  essas dificuldades de comunicação, essa vida de solidão? Fraqueza, não por ser um covarde, mas fraco por não ter mais esperanças de que dias melhores podem vir?
Será que a distância de casa doeu tanto?
Ou será talvez, que também como muitos de nós, não avaliou e não "pesou" as consequências dessa mudança de país?
Sei que são respostas difíceis de serem obtidas, mas infelizmente há pessoas que não são fortes o suficiente para se darem uma chance de lutar, de vencer, de correr atrás. Saberem que moram em um país que não é igual ao seu de origem, mas buscarem forças e reagirem de alguma forma. Ou simplesmente, "jogar a toalha" e voltar "pra casa". Isso me entristece profundamente.

Mas por outro lado, eu tive a oportunidade de conhecer mulheres, lindas e fortes, que passaram por momentos de solidão, e situações denigrentes e desesperadoras. Mas foram fortes o suficiente para se manterem firmes e darem à volta por cima, como guerreiras que não desistem da luta! Um exemplo a ser seguido!
Por uma questão de ética eu não vou revelar os seus nomes, mas à elas, toda a minha admiração e carinho!

Preciso apenas deixar claro, que tenho um sentimento vivo dentro de mim, por essas pessoas que infelizmente tiraram suas vidas de uma maneira tão triste, trágica e dolorosa, para nós, que ficamos e lemos essas matérias nos jornais e nas redes sociais, é lamentável.
Essas notícias vêm sempre acompanhadas de muita especulação, pois a verdadeira razão, nem sempre vem à tona, deixando assim, margens para muitos questionamentos.

Sei que é grande e incessante, a dor e a tristeza dos familiares e amigos dessas pessoas, que partem dessa forma triste, longe dos seus queridos. À eles deixo aqui os meus sentimentos, solidariedade e o meu respeito.

Conheci uma moça,  que veio morar na Alemanha, e por se sentir sozinha e na monotonia, achou que engravidar seria uma saída, pois teria um filho para cuidar e ocuparia assim o seu tempo. Mas ela não investiu em aprender a língua antes disso, não se empenhou em vivenciar o país. Então, ela não se adaptou ao lugar e não aprendeu o idioma mesmo morando aqui já havia alguns anos. O que acontece é que esse tipo de comportamento acaba criando algum tipo de rejeição da pessoa ao país. Pois ela irá "culpa-lo" por seu "fracasso", pela sua falta de "sucesso" na vida. É preciso ter bastante cuidado com esse aspecto da adaptação, pois ela será a chave que irá abrir, ou conforme seja, fechar as portas do mundo aqui fora.

Para você, que tem a pretensão de dar um passo rumo ao desconhecido, que é ir morar no exterior, é importante levar em questão fatos como a solidão, e a distância de casa. Pois nem todos os dias serão de festa.

Pouco se pensa no lado duro e difícil que é a conquista de um espaço novo, com tantos obstáculos a serem superados, como a aceitação; ou como a comunicação, que nem sempre flui de maneira fácil; o contato com pessoas novas, que nem sempre estarão abertas a diálogos espontâneos, como estamos acostumados com as pessoas em nossos países de origem. Não pensamos no frio constante, que incomoda, dói, deprime e mata, de depressão e de tristeza, quem não for forte o suficiente para saber se defrontar com situações como essas.

Sei apenas, que quando mudamos para outro país, não sabemos ainda o que de fato nos aguarda. Não sabemos de fato, se iremos conseguir superar a saudade, a tristeza, a angústia por estarmos longe dos parentes queridos, dos amigos verdadeiros. Enfim, nós não pensamos em nada disso antes de imigrarmos. Acredito, que pensamos apenas em coisas boas, positivas, muitas conquistas pessoais e profissionais, muita alegria e muita festa. Mas o mundo real nos aguarda cheio de surpresas...




Sonntag, 23. November 2014

Uma jarra de saudades

 


Era hora do café da manhã , um sábado lindo de sol, e como sempre, não apressamos o dia, deixamos que corresse tranquilamente. Para nós, é dia de descanso do corpo, de relaxar. Mesmo que uma vez ou outra precise ir trabalhar.

A mesa estava posta, e nós três já estávamos sentados, quando me dei conta de que faltava o suco. Lembrei que havia trazido uns maracujás da minha última viagem ao Brasil, e antes que estragassem, o que seria terrível, pensei em fazer suco deles. Meu marido disse que alguns já estavam "mofados"! Meio desconfiada, eu peguei um maracujá pra conferir, mas ele estava apenas murcho, que é uma característica natural da fruta.

Cortei um maracujá ao meio e levei-o ao nariz, e aquele cheiro exalado me preencheu, entrou de vagar pelo meu peito, e se alojou no meu coração! Aquele cheiro de maracujá me encheu os olhos de lágrimas...! Em uma fração de segundos, enquanto apreciava aquele cheiro tão exclusivo e inconfundível, minha alma fazia uma viagem de volta ao Brasil. Em tão pouco tempo, eu vi as ruas por onde sempre passei no caminho ao trabalho, vi o centro do Recife com as suas belas pontes; vi a praia de Boa Viagem ensolarada como a deixei...vi as árvores frutíferas do quintal da casa da minha mãe...

Sim, era saudade...mas era uma saudade deliciosa, que não doía nem maltratava. Era uma saudade, que me reportava aos momentos de prazer e de alegria da minha vida que deixei lá no Brasil. Era uma saudade que me fazia lembrar das delícias da minha origem. Pra me lembrar, que mesmo longe, é possível lembrar-se de casa sem sofrer! 

Meu marido e a Corina também apreciaram aquele cheiro, e todos lembraram de momentos alegres de nossas últimas férias juntos.

Por fim, fiz uma deliciosa jarra de suco com alguns maracujás...ahhh que delícia!
E aquele foi o café da manhã mais alegre que já tive em dez anos de vida na Alemanha!

Donnerstag, 7. August 2014

Começar de novo...e sempre!

Ao mudar para a casa do Uwe, na mesma cidadezinha onde morava a Maria Luiza, a brasileira que nos havia apresentado, os meus sentimentos estavam ainda muito confusos. Não em relação à nós dois, mas em relação ao meu comportamento em sí. Não tinha certeza se tinha que ser daquela forma.
Sentimentos confusos,  porque sempre prezei pelo bem estar das pessoas, e mesmo que a minha convivência com o Albert não tenha sido das melhores, mesmo sabendo que ele não havia sido correto comigo, eu não queria o mal dele. Trazia comigo um grande complexo de culpa, por ter falado apenas meia verdade pra ele sobre o meu "novo endereço". E esses sentimentos me perturbariam por algum tempo. Mas por outro lado, estava feliz por um novo recomeço em minha vida. Cheia de expectativas para a vida que levaria junto com o Uwe.

Saí de uma cidade grande e mudei para morar em uma cidade provinciana, interiorana mesmo, como diríamos no bom e claro português. Onde os habitantes prezam ainda pela moral e bons costumes da família. Fazendo questão de viverem em círculos fechados, não se permitindo tão aberta e facilmente a convivência com recém-chegados, se comportando e olhando meio desconfiados para as novas caras que por ali se chegam. Principalmente se são estrangeiros.
Algumas pessoas são tão fechadas, e porque não dizer "primitivas", que até hoje mal trocam um bom dia. E comigo a recepção não poderia ser diferente.
Confesso que foi tudo muito rápido e tive que assimilar muita coisa de uma só vez. Foi algo do tipo "tudo ao mesmo tempo agora"!  A paz que Uwe me proporcionava; a incerteza do futuro; a preocupação com minha mãe (sim, eu precisava explicar o "samba do crioulo doido" no qual me envolví); queria aprender a falar o mais depressa possível; queria trabalhar; queria conhecer a vida no país (tudo -ou quase tudo funciona diferente de como é no Brasil!) queria ter filhos...!
Mas sobretudo, queria e teria que me adaptar à minha nova realidade. E não seria muito fácil.

Como nos conhecemos e resolvemos morar juntos em muito pouco tempo, o Uwe já havia programado as suas férias de final de ano com um grande amigo, e os dois já haviam reservado hotel e comprado passagens para passarem as festas de final de ano na República Dominicana, e claro, eu não estava incluída em seus planos. Assim, o Uwe me propôs que eu ficasse em seu apartamento até que ele voltasse de viagem, e, sem outra alternativa, eu aceitei a sua proposta.
Para mim, foi uma situação, que até hoje eu penso, ter sido um dos maiores votos de confiança que ele me deu. Nos conhecíamos de pouco tempo, e mesmo assim, ele me confiou o seu lar. Eu costumo dizer, (e eu sou muito sincera nessa minha opinião) que tanto para mim, como para ele foi muito arriscado, pois do mesmo jeito que ele poderia ser uma pessoa de má índole e estar fingindo, eu também poderia ser uma pessoa de caráter duvidoso e estar jogando com ele. Mas como eu digo, quando somos adultos, e sabemos o que queremos, sempre irá valer a pena acreditar em um novo recomeço. Sempre valerá a pena correr o risco.

Duas semanas antes da viagem do Uwe, nós tivemos que resolver muitas questões burocráticas, devido ao nosso casamento; à minha mudança de residência, enfim, papéis pra lá, documentos pra cá...e pagamentos de taxas burocráticas para todos os lados. Mas ele viajou, e já deixou tudo praticamente organizado, para que quando retornasse não tivesse mais tantos atropelos.

A convivência entre nós era de total tranquilidade e harmonia. Me sentia acolhida e querida. Era uma situação contrária à que havia vivido até então. Mas ainda trazia comigo os resquícios da "ditadura" vivida com Albert.
Lembro-me do dia em que acidentalmente quebrei um copo e ele quase pôs o apartamento à baixo; ou o dia em que fui fritar ovos...um Deus nos acuda! Me deixou em pânico, gritando que eu queria incendiar o apartamento!!!

Na casa do Uwe, que passou a ser "nossa casa", era tratada de igual para igual, com sinceridade de ambas as partes, sem diferença de origem, e com respeito. Um dia, por descuido, quebrei uma pequena taça  de licor pela manhã, e como ele não estava em casa, queria mostrar o que aconteceu, e não simplesmente jogar fora sem que ele soubesse. Quando chegou do trabalho, tentei lhe explicar o que aconteceu, mas ele pegou delicadamente a taça, abriu o lixo, e me falou sorrindo: "Você não tem que me explicar, isso é apenas algo material, que cedo ou tarde irá se quebrar. Quando isso acontecer outra vez, não se preocupe em me dar explicações,  apenas jogue fora."
Essas coisas parecem bobagens, mas foi algo que me deixou muito feliz e me deu paz. Com o passar do tempo, me sentí segura e liberta, e não me sentia "pisando em ovos", ou como um pássaro fora do ninho...

As festas Natalinas haviam chegado, e eu estava sozinha, sem minha família, sem meus amigos, sem ninguém por perto que fosse do meu convívio. O telefone que o Uwe muito amavelmente solicitou a instalação para que eu pudesse me comunicar com minha família e amigos no Brasil, ainda não havia sido instalado. Só tinha apenas o meu telefone celular, que ele, por uma questão de segurança e muito carinhosamente providenciou, logo no primeiro dia que cheguei para morar com ele, para que nós em nenhum momento ficássemos incomunicáveis, caso acontecesse algo. Mas como era pré-pago, eu não tinha como me comunicar constantemente com o Brasil ainda. Nos falávamos apenas por e-mail, e muito pouco. Enfim, foram momentos de tristeza e solidão. Confesso.

Era véspera de Natal, e eu estava só. Uwe já estava longe e eu não tinha com quem conversar, a não ser com a Maria Luiza. Mas como ela tinha sua família e suas ocupações, e eu não gostava (e ainda não gosto!) de incomodar as pessoas, eu passava mais tempo sozinha no apartamento, revendo meu material de estudo da língua alemã, que eu havia levado comigo.
Nesse dia, eu acordei mais tarde, e como ainda não estava muito familiarizada com a minha "nova vida", e ainda desorientada com tantos acontecimentos, resolví dar uma volta no pequeno centro da cidade, mas qual não foi a minha surpresa quando me deparei com as lojas quase todas já fechadas às duas da tarde. Mesmo assim, dei uma pequena volta no lugar. Olhei ao meu redor e me senti só como nunca. O vazio que eu via nas ruas, se instalou quase que automaticamente dentro de mim...quis chorar. Meu peito apertou e eu voltei pra casa. Fazia frio, e tudo era tão cinza. Tão  sem vida...e eu sozinha...
Desci as escadarias que levavam ao nosso prédio um pouco cabisbaixa, queria chegar o mais depressa em casa. Queria a segurança do "meu lar". Queria a presença de Uwe, que a essas alturas já estava curtindo o sol, o mar e o calor de Cabarete, no Atlântico. E eu tão só...

Era aproximadamente quatro da tarde, quando a  Maria Luiza me telefonou, e me disse que havia conversado com seu esposo, e falado que eu passaria as comemorações natalinas sozinha, e ele sugeriu que ela me convidasse a participar da ceia com eles. Foi quase como uma ordem, ela não queria me deixar sozinha naquela ocasião, e eu achei de uma gentileza tamanha. Não tive como não aceitar. Ela passaria para me apanhar às seis da tarde. Fiquei imensamente agradecida.

Logo que mudei pra morar com o Uwe, eu tinha muito receio ainda de voltar à Dortmund.  A pesar do centro comercial de lá ser muito maior e mais diversificado que o da cidadezinha onde morávamos, onde as lojas ainda eram aquelas especializadas em determinados tipos específicos de artigos, ou lojas para senhores, lojas para senhoras. Lojas que foram herdadas e passadas de geração em geração. E na maioria das vezes com artigos que não tinham nada a ver com a moda jovem do momento, e sem contar que os preços eram muito elevados. Mas as idas para as compras me custavam muitos nervos, pois era como se eu estivesse voltando a um passado ainda bastante recente, com feridas ainda abertas e por cicatrizar. Tinha sempre a sensação de que qualquer carro que estivesse próximo ao nosso, poderia ser o do Albert; ou que qualquer pessoa que subisse ou descesse nas escadas rolantes das lojas de departamentos me observava, podendo ser ele também. Eu não tinha nada à esconder, nada à declarar, mas me sentia ainda muito fragilizada e não estava preparada para um reencontro ou uma confrontação. Não ainda.

Alguns dias antes, pouco depois de me mudar, e já sabendo que ficaria sozinha no Natal, perguntei para a Eliana (que era a amiga brasileira do Alfred, a qual ele me havia apresentado) o que ela faria naquela noite, (eu não tinha a menor idéia de como eram as festas natalinas na Alemanha) e ela falou que não faria nada de especial, mas sim algo simples, como uma sopa ou algo assim, e que convidaria uma outra amiga para um bate papo. Perguntei se poderia me juntar à elas, e ela me disse que sim, mas como ainda era cedo, poderíamos ir nos falando para confirmar.
Na verdade, eu me sentia tão insegura...não havia ainda andado sozinha de trem (que era a única forma de eu ir para Dortmund, pois eu ainda não dirigia...) e ainda não falava quase nada...e o medo da confrontação era enorme, pois ela morava à menos de cem metros da casa do Albert. Eram tantas dúvidas que me martelavam a cabeça e apertavam o coração...não tinha certeza se de fato queria ir...me sentia fragilizada...sem segurança...talvez tivesse medo.
Alguns dias antes do Natal, telefonei para Eliana, como planejado, e perguntei mais uma vez se poderia estar com ela naquela noite, que tinha se transformado numa noite tão triste pra mim. Ela me respondeu que eu fosse, se eu achasse que deveria...Naquela ocasião, devido à minha fragilidade emocional, achei a resposta um pouco vazia e sem muito calor humano, fria e sem sensibilidade. Então decidí não ir.
Mas na verdade, talvez eu só estivesse procurando justificar a minha decisão.
Eu tinha medo. Simplesmente isso.

As comemorações natalinas na Alemanha (não sei em outros países da Europa, mas acredito que sejam bem parecidas...) são bastante diferentes das que conhecemos no Brasil. A base é a mesma para os cristãos, reunir a família para celebrar o nascimento do menino Jesus.
Mas a questão climática faz toda a diferença: no Brasil o Natal é celebrado no auge do verão.
O calor dessa estação do ano é um enorme medidor de estado de espírito e humor.
No Brasil ou em países tropicais, onde o sol brilha por mais tempo, e isso é fato, temos sempre o astral elevado, estamos mais tempo alegres e tudo parece ser festa.
Mas já nos países onde o frio é duradouro, longo e constante, as pessoas estão na maioria das vezes com o humor "comprometido" e nem sempre dispostas. E na Europa, as festas natalinas são comemoradas nesse clima. Nada de churrasco na casa dos amigos ou parentes como estamos acostumados no Brasil. Nada de "reunir a galera" para aquela festança.
Aqui é tudo muito mais formal. Na Alemanha por exemplo, o Natal é comemorado em três dias, e dois deles é feriado, que são os dias 25 e 26/12
(ver http://caminhosquevou.blogspot.de/2013/12/natal-o-que-voce-e.html).

A festa para a celebração da chegada do Ano Novo é um pouco mais diferente, menos formal e mais "calorosa", mas mesmo assim, também devido ao frio do inverno, não dá pra esperar uma comemoração como fazemos no Brasil.
Há queima de fogos, felicitações e desejos de um ano melhor, mas mesmo assim, falta "algo". Quem já vive há mais tempo "fora de casa" sabe como é, e já dá um jeitinho de reunir os amigos e festejar de forma mais "quente", com aquele "ramba-samba" como falam os alemães.

E foi assim que celebrei a "virada" do ano na casa da Maria Luiza, com muito calor humano, rodeada de pessoas que exalavam muita alegria, e um desejo pessoal que minha vida com o Uwe fosse de harmonia e muita paz. Conhecí pessoas novas, que até hoje são de alguma forma especiais em minha vida.

Em determinado momento, resolví me retirar um pouco daquele ambiente festivo. Peguei meu telefone celular e liguei para minha família no Brasil, era tudo que eu precisava: ouvir a voz da minha mãe, que me fortalecia e me dava novas energias pra continuar. Pude falar com minhas irmãs e minha mãezinha. Foram pouquíssimos minutos, até que a ligação caiu...Acabara-se os últimos créditos. O que ficou foi um aperto no peito, uma angústia sufocante, e uma vontade imensa de chorar...chorei! De tristeza, de saudade, de vontade de estar "em casa" naquele momento. No aconchego do lar, onde eu havia crescido...onde eu havia brincado de boneca, do quintal onde eu havia jogado futebol com minhas irmãs, dos pés de frutas que fizeram a nossa alegria, e das brincadeiras da infância...!
Era muita realidade de uma vez só.
Eu apertei o telefone contra o peito e simplesmente chorei.

O esposo da Maria Luiza, que como eu falei para ela em uma oportunidade quando conversávamos, era um homem excepcional, que se importava com as pessoas, um ser verdadeiramente humano, "apareceu do nada", me surpreendeu afundada em minha própria tristeza, colocou a mão no meu ombro, e me perguntou se eu estava bem. Eu levantei a cabeça com os olhos úmidos pelas lágrimas que havia pouco tinha derramado, e lhe respondí que sim. 
Mas eu não estava bem...





















Um Conto Corrido

07:30 - O Telefone -Alô! -Mãaaae!! Esqueci a mochila de esporte na parada do ônibus! -Corre por favor antes que alguém pegue! -E onde vc est...